Sophie Seromenho no livro “Não é Loucura, É
Ansiedade” sugere a execução de alguns exercícios ...
“Há muitos
motivos pelos quais é importante manteres registos das tuas experiências de
maneira regular e contínua.
Em primeiro
lugar, ansiedade intensa ou crónica, dificuldades de humor ou outras experiências
emocionais desagradáveis parecem estar fora do teu controlo, como se tivessem
vida própria. Provavelmente, sentes-te como se fosses vítima das tuas próprias
experiências desagradáveis ou angustiantes. Aprender a ser um observador, em
vez de uma vítima, da tua própria experiência é o primeiro passo para
alcançares estabilidade.
Em segundo
lugar, ao aprenderes a reconhecer como o que pensas, o que sentes e o que fazes
pode contribuir para experiências emocionais desconfortáveis ou angustiantes,
como ansiedade ou depressão, terás mais facilidade em identificar quais os
aspetos do que pensas, fazes e sentes estão a contribuir para o teu sofrimento
e em utilizar maneiras novas e mais úteis de lidar com as tuas experiências. A manutenção
de registos contínuos pode ajudar-te a começar a reconhecer e identificar essas
partes da tua experiência. (...)
Manter registos
contínuos das tuas experiências emocionais força-te a reconhecer que o teu
estado de humor flutua e que há momentos em que te sentes menos angustiado do
que noutras ocasiões. Assim, quando analisares esses registos, terás uma imagem
mais realista do que realmente está a acontecer contigo, permitindo que te
sintas mais estável e menos angustiado.
Neste exercício,
a ideia é aprenderes a registar quantas vezes ao longo da semana te sentiste de
uma certa maneira, o que estava a acontecer antes de te sentires angustiado e
como é que respondeste.
Para te
ajudar a fazer isto, incluí um questionário muito específico, projetado para
registar informações objetivas sobre a tua ansiedade.
O gráfico
de Registo de Progresso ajudar-te-á a manter tudo em perspetiva. Pode ser útil
deixá-lo num lugar bem visível, como no espelho do quarto ou no frigorífico, de
modo que sejas lembrado das mudanças positivas e do progresso que estás a
fazer.
Escala Geral de Severidade de Ansiedade
(EGSA)
Os itens
a seguir serão sobre a tua ansiedade e medo. Para cada item, circunda o número
da resposta que melhor descreve a tua experiência na semana passada.
1. Na última semana, com que frequência
te sentiste ansiosa/o?
0 = sem ansiedade na semana anterior.
1 = ansiedade infrequente. Fiquei ansiosa/o poucas
vezes.
2 = ansiedade ocasional. Senti-me ansiosa/o algumas vezes.
Foi difícil relaxar.
3 = ansiedade frequente. Senti-me ansiosa/o na maior parte do tempo. Foi
muito difícil relaxar.
4 = ansiedade constante. Senti-me ansiosa/o a toda a hora e nunca
relaxei.
2. Na última semana, quanto te
sentiste ansiosa/o, quão intensa ou grave foi essa ideia?
0 = pouca ou nenhuma: a ansiedade estava ausente ou
quase impercetível.
1 = leve: a ansiedade estava num baixo nível. Foi possível
relaxar quando tentei. Os sintomas físicos eram apenas ligeiramente desconfortáveis.
2 = moderada: a ansiedade às vezes foi angustiante. Foi
difícil relaxar ou concentrar-me, mas eu conseguiria se tentasse. Os sintomas físicos
eram desconfortáveis.
3 = grave: a ansiedade foi intensa. Era muito difícil relaxar ou concentrar em
qualquer coisa. Os sintomas físicos eram extremamente desconfortáveis.
4 = extrema: a ansiedade era avassaladora. Era impossível
relaxar Os sintomas físicos eram
insuportáveis.
3. Na última semana, com que frequência
evitaste situações, lugares, objetos ou atividades por causa da ansiedade ou do
medo?
0 = nenhuma: não evito lugares, situações,
atividades ou coisas por causa do medo.
1 = raro: eu evito de vez em quando, mas geralmente
enfrento a situação ou o confronto. O meu estilo de vida não é afetado.
2 = ocasional: tenho algum medo de certas situações,
lugares ou objetos, mas ainda é controlável. O meu estilo de vida mudou apenas
em pequenas coisas. Sempre ou quase sempre evito as coisas que temo quando
estou sozinha/o, mas consigo lidar com elas se alguém vier comigo.
3 = frequente: tenho um medo considerável e
realmente evito as coisas que me assustam. Fiz mudanças significativas no meu
estilo de vida de forma a evitar o objeto, situação, a atividade ou o lugar.
4 = sempre: evitar objetos, situações, atividades ou
lugares tomou conta da minha vida. O meu estilo de vida foi amplamente afetado
e já não faço as coisas de que gostava.
4. Na semana passada, quanto da tua
ansiedade interferiu na tua capacidade de fazer as coisas que precisavas de
fazer no emprego, na escola ou em casa?
0 = nenhuma: sem interferência de ansiedade no
emprego, na escola ou em casa.
1 = leve: a minha ansiedade causou alguma interferência
no emprego, na escola ou em casa. As coisas estão mais difíceis, mas tudo o que
precisa de ser feito ainda está a ser feito.
2 = moderado: a minha ansiedade definitivamente
interfere nas tarefas. A maioria das coisas ainda está a ser feita, mas poucas
estão a ser feitas como no passado.
3 = grave: a ansiedade realmente mudou a minha
capacidade de fazer as coisas. Algumas tarefas ainda estão a ser realizadas,
mas muitas não estão. O meu desempenho definitivamente sofreu-
4 = extremo: a minha ansiedade tornou-se
incapacitante. Não consigo completar tarefas e tive de deixar a escola, pedi a
demissão ou fui despedida/o do meu emprego, ou não consegui completar tarefas
em casa e enfrentei consequências como cobradores de contas, despejo, etc.
5. Na última semana, quanto da tua
ansiedade interferiu na tua vida social e relacionamento?
0 = nenhum: a minha ansiedade não afeta os meus
relacionamentos.
1 = leve: a minha ansiedade interfere ligeiramente
nos meus relacionamentos. Algumas das minhas amizades e outros relacionamentos
sofreram, mas, no geral, a minha vida social ainda é gratificante.
2 = moderado: experimentei alguma interferência na
minha vida social, mas ainda tenho alguns relacionamentos íntimos. Não passo
tanto tempo com outras pessoas como antes, mas ainda socializo às vezes.
3 = grave: as minhas amizades e outros
relacionamentos sofreram muito por causa da ansiedade. Não gosto de atividades
sociais. Socializo muito pouco.
4 = extremo: a minha ansiedade interrompeu
completamente as minhas atividades sociais. Todos os meus relacionamentos
sofreram ou terminaram. A minha vida familiar é extremamente tensa.
Total: _______
Durante 20 semanas faça o seu registo no gráfico
acima.
Seromenho, S. Não é Loucura, é Ansiedade - Primeiros Socorros para
Combateres a Doença do Século. Lisboa: Contraponto.(2022).

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