segunda-feira, 6 de abril de 2026

“Causas das doenças bronco pulmonares”

 

A newsletter deste mês da TerLaser pretende enunciar as causas de várias doenças bronco pulmonares. Este texto é adaptado ao livro “As doenças dos pulmões” escrito pelo Dr. Edouard Arnold.

As causas são muito numerosas, também muito variadas e desconhecidas. A primeira constatação a fazer é a da dupla agressão a que o pulmão pode estar submetido. Com efeito, existe uma agressão externa, aérea, e uma agressão interna, sanguínea.

Quando respiramos, fazemos penetrar nos nossos pulmões o ar do local onde nos encontramos. Se este ar contém impurezas, estas também tomarão a via dos nossos brônquios e poderão alojar-se até nos nossos alvéolos. Estas impurezas são de todas as espécies: poeiras minerais ou vegetais, germes ou vírus, esporos de fungos, pólenes, gases, etc. concebe-se, pois, a infinidade de perturbações que estes elementos de origens tão diversas poderão desencadear nos pulmões.

A esta agressão externa junta-se a agressão interna: os elementos responsáveis pelas doenças trazidos ao pulmão pela circulação sanguínea.

Pois com efeito, quase todo o nosso sangue passa através do pulmão para ir buscar o seu oxigénio e se desembaraçar do anidrido carbónico.

Se elaborarmos o catálogo das agressões de que o pulmão pode ser vítima, somos levados a pensar que as doenças pulmonares deveriam ser mais frequentes e ficamos admirados por não serem mais. É que, na realidade, estes órgãos tem um grande poder de defesa. Existem ao seu nível numerosos sistemas, quer mecânicos, para repelir para o exterior as partículas indesejáveis, quer imunitários, para anular os seus efeitos nocivos. É todo este processo, altamente complexo, que é designado por epuração pulmonar. É um belo exemplo de equilíbrio entre o organismo vivo e o seu meio ambiente. São estes processos biológicos que asseguram a existência do individuo, e, portanto, da vida.

Quais são os elementos desta agressão?

Os micróbios e os vírus são responsáveis pelas doenças infeciosas: pneumonia, broncopneumonia, tuberculose. Cada agente infecioso é capaz de desencadear uma doença que terá as suas próprias caraterísticas.

Os esporos de fungos podem ser a causa de toda uma série de doenças chamadas micoses, umas frequentes, outras raras, e que podem ter uma distribuição geográfica particular.

As poeiras vegetais desempenham um papel importante na origem das doenças alérgicas, febre dos fenos, asma.

As poeiras minerais estão na base das doenças chamadas pneumoconioses, que resultam da retenção no tecido pulmonar das partículas inaladas. Algumas são benignas, outras podem ser graves como a silicose.

Certos gases são tóxicos. Vários estão presentes na chamada poluição atmosférica. É o caso de gases que contêm enxofre, azoto, cloro. Sabe-se que o fumo do tabaco é particularmente perigoso, tanto pelos gases como pelas partículas em suspensão nestes gases. É em grande parte responsável pela bronquite crónica e pela forma mais frequente do cancro do pulmão.

 

https://www.antenalivre.pt/noticias/cerca-de-14-das-criancas-ate-aos-9-anos-expostas-ao-fumo-do-tabaco-em-casa

Existem, enfim, substâncias tóxicas, sobretudo de utilização industrial, até mesmo medicamentos que, sendo ingeridos pelo tubo digestivo, são capazes de criar uma doença a nível do pulmão. Encontram-se nesta categoria tanto gases como herbicidas, medicamentos anticancerígenos, desinfetantes, etc.

Há que acrescentar ainda todas as doenças cuja causas desconhecemos. São numerosas. Assim, ignoramos a causa de vários tipos de cancro.

No link que segue pode saber mais sobre o grau de poluição pelo fumo do tabaco a que estão sujeitas as pessoas em vários lugares públicos e privados.

https://repositorium.uminho.pt/server/api/core/bitstreams/5b8f55e4-02e5-4cd0-928e-282e635aa8e3/content

https://www.terlaser.com/deixar-de-fumar/

Síndroma de avanço ou atraso de fase Desacerto do relógio biológico

 

Trata-se de uma perturbação do relógio biológico presente no organismo humano. Este varia de indivíduo para indivíduo existindo, assim, pessoas cujo estado de alerta ocorre de manhã cedo – e para as quais a necessidade de dormir também ocorre relativamente cedo; e outras, cujo pico de alerta ocorre após o meio do dia.

Estes fatores não são voluntários, mas inatos.

Sintomas

Algumas crianças, que são consideradas preguiçosas, distraídas, com mau aproveitamento escolar e que estão sempre sonolentas durante as aulas, são na verdade, vítimas de um desajustamento do relógio biológico, em relação às exigências académicas.

“Quando a situação se revela exagerada, isto é, a criança adormece muito tarde ou acorda muito cedo, estamos perante o chamado avanço ou atraso de fase,” explica Anselmo Pinto

Tratamento

Se não for possível um ajustamento dos horários do dia-a-dia com o relógio biológico da criança, dever-se-á proceder a um ajuste do mesmo. “A maneira como se realiza esse ajustamento poderá ser por meio da exposição a uma luz com determinada intensidade, duração e horário, dependendo do que queremos fazer com que a criança comece a adormecer ou a acordar mais tarde. Isto deverá ser realizado em clínicas do sono, após avaliação da situação, uma vez que requer conhecimentos especializados sobre este tipo de tratamentos,” explica o especialista.

 


Delayed Sleep Phase Syndrome | Stanford Health Care

Como acabar com os TERRORES NOTURNOS. (2003). CRESCER, 30-31.https://www.terlaser.com/terinsonia/

 

Divertida Mente 2 : a mente adolescente e o papel da ansiedade – Psiquiatria no cinema

 Este mês a TerLaser propõe no âmbito da ansiedade a visualização do filme que dá para adultos e crianças o “Divertida Mente 2”. O texto que se segue é uma publicação online do jornal britânico de psiquiatria.

Divertida Mente 2 , a sequência da Pixar de 2024, continua a exploração da mente de Riley, de 13 anos, enquanto ela enfrenta os desafios da adolescência e começa o ensino secundário. Na véspera do acampamento de hóquei no gelo, o "alarme da puberdade" de Riley desencadeia uma mudança cómica no centro do controlo do seu cérebro. As emoções originais de Divertida Mente (2015) – Alegria, Raiva, Tristeza, Medo e Nojinho – são acompanhadas por novas adições: Ansiedade, Inveja, Vergonha e Tédio. Essas emoções trazem novos conflitos para o panorama emocional de Riley, à medida que o painel de controlo se torna mais sensível, intensificando as suas reações e deixando as emoções originais lutando para manter o equilíbrio.

Um dos aspetos mais cativantes de Divertida Mente 2 é a representação subtil da ansiedade na adolescência feita pela Pixar. A Ansiedade, retratada como hiperativa, com cabelo despenteado e um sorriso ansioso, não é uma vilã, mas sim uma força bem-intencionada. O filme distingue inteligentemente entre medo e ansiedade – a Ansiedade explica: "O medo protege a Riley das coisas que ela vê, eu protejo a Riley das coisas que ela não vê. Eu planeio o futuro". Inicialmente, seu planejamento obsessivo para cada possível resultado parece útil, pois motiva a Riley a impressionar as meninas mais velhas do time de hóquei no gelo, refletindo o medo natural da rejeição social – uma preocupação comum à medida que os relacionamentos com os colegas ganham importância na adolescência.

No entanto, a Ansiedade rapidamente se torna avassaladora, operando a imaginação de Riley como um escritório frenético, com funcionários esboçando incessantemente os piores cenários possíveis. Isso culmina em uma poderosa representação de um ataque de pânico, com a Ansiedade girando caoticamente ao redor do painel de controle, desesperada para manter a ordem. No centro dessa tempestade está a própria Ansiedade, imobilizada e impotente, com uma lágrima escorrendo pela cara. Através dessa representação, o filme demonstra como a ansiedade, se não for controlada, pode se transformar numa força paralisante. A eventual constatação da Ansiedade de que ela não pode controlar tudo – espelhada pela própria admissão de Alegria – oferece uma reflexão perspicaz sobre os desafios da regulação emocional durante a adolescência.

https://www.youtube.com/watch?v=LEjhY15eCx0

Ao apresentar a Ansiedade como protetora e fonte de angústia, o filme educa o espetador sobre a natureza dual dessa emoção. Ele normaliza a ansiedade como parte da vida, ao mesmo tempo que destaca a importância de gerenciá-la de forma eficaz. Na resolução do filme, a Ansiedade recebe uma tarefa específica e uma xícara de chá calmante, simbolizando que, embora a ansiedade esteja sempre presente, ela pode ser controlada e canalizada positivamente quando gerida com cuidado. Essa mensagem é importante para os jovens, visto que os transtornos de ansiedade costumam surgir no início da adolescência, embora haja uma clara distinção entre a ansiedade como uma emoção normal e a ansiedade clínica.

Divertida Mente 2 torna a educação emocional acessível e envolvente, incentivando as crianças a compreenderem as suas emoções e a falarem abertamente sobre elas. Ao retratar a turbulência da adolescência, o filme normaliza o sofrimento psicológico como parte natural do desenvolvimento. Através da sua narrativa criativa e do uso de metáforas, ela abre espaço para conversas essenciais sobre saúde mental, ajudando o público jovem a reconhecer que os desafios emocionais são comuns – e que aprender a lidar com eles é fundamental para o crescimento.

https://www.cambridge.org/core/journals/the-british-journal-of-psychiatry/article/inside-out-2-the-adolescent-mind-and-the-role-of-anxiety-psychiatry-in-movies/C86942BABBF1D03201F4B3D008EF1DB3

sexta-feira, 6 de março de 2026

“Fatores que influenciam a mudança: A prontidão”

 

“Hubble e colaboradores (1999) realizaram um estudo sobre os fatores que estão numa base de uma mudança de comportamento do cliente no âmbito de uma intervenção terapêutica, tendo identificado a importância relativa que cada um deles pode ter nesse processo.”...

O conceito de prontidão para a mudança, abordado terapeuticamente na Entrevista Motivacional, tem por base o modelo dos estágios de mudança o “Modelo Transteórico de Mudança” de Prochaska e DiClemente, que permite perceber melhor a mudança nos indivíduos, ou seja, as etapas que são percorridas durante um processo de mudança de comportamento. Assim, torna-se possível adequar as estratégias de intervenção às necessidades dos clientes, a cada momento do processo.

Na verdade, este modelo é mais prescritivo do que descritivo, já que idealiza o processo de mudança. A maior parte dos clientes não desenvolve necessariamente um percurso de mudança através do continuum aqui apresentado, apesar desta matriz ser uma proposta realística da intenção de mudar.

Da mesma forma, que não existe uma sequência temporal invariável, também não existe uma clarificação sobre o tempo decorrido na execução de cada estágio em particular, o que permite que se pense nestas etapas mais como «estados» do que como «estágios» (Sutton, 1997).

Dividido em 5 etapas distintas – Pré-contemplação, Contemplação, Preparação, Ação e Manutenção – o modelo representa o processo pelo qual as pessoas passam quando pensam em, iniciam ou tentam manter um novo comportamento.

A etapa que precede o processo de mudança em si é identificada como Pré-contemplação, no qual o indivíduo não está ainda a considerar a mudança em causa.

1.     Pré – contemplação

a.     Caraterização

De um modo geral, a pessoa nesta etapa não encara o seu comportamento como um problema, identificando-se como um cliente «resistente» ou em «negação».

Carneiro (2004) refere que podem existir quatro tipos de contempladores

1)     O relutante: «Estou bem como estou.»

2)     O rebelde: «Vamos todos morrer um dia, por isso…»

3)     O racionalizador: «Tenho um avô com noventa anos que fuma desde os 12 e não tem cancro.»

4)     O resignado: «É tarde de mais para mim…»

https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/manual-coordenador-deixando-de-fumar-sem-misterio.pdf

 

b.     Intervenção

A grande meta dos profissionais de saúde consiste em auxiliar estes clientes a começar a identificar o problema em causa e a questionar o seu comportamento. Para tal devem dar informação sobre os riscos de continuar a usar substâncias, fornecer feedback acerca dos resultados de exames e testes e potenciais danos que estejam a ocorrer.

Com o aparecimento de alguma consciência sobre o problema, o indivíduo entra efetivamente num ciclo de mudança, encaminhando-se para uma etapa de Contemplação. Esta transição não ocorre repentinamente nem de uma forma constante, vai-se instalando normalmente com o tempo.

Na TerLaser quando o cliente efetiva realmente a consulta para Deixar de Fumar, o processo de mudança já está a decorrer, mas é importante manter “viva” a motivação que o/a levou querer Deixar de Fumar, as tentações são muitas. Os sintomas de abstinência são bastante diminuídos e o acompanhamento feito pelo/a terapeuta da TerLaser são “ingredientes” complementares à vontade de querer estar sem fumar.


https://www.terlaser.com/deixar-de-fumar/

Exercício 2: Conceptualização de Caso

 

Sophie Seromenho no livro “Não é Loucura, É Ansiedade” sugere a execução de alguns exercícios (cont.)...

Agora com a informação completa:

Instruções

Completa o diagrama conforme cada tópico que te é apresentado e respondendo às seguintes questões:

4.     Consequências não intencionais

As estratégias de segurança são uma tentativa de te manteres seguro. Todas as ações têm consequências e esta secção da formulação foi projetada para te ajudar a refletires sobre as consequências não intencionais das tuas ações. Não tens culpa daquilo que sentes, nem da forma como aprendeste a lidar com a situação. Foi a melhor maneira que encontraste para o fazer.

Perguntas úteis para explorar consequências não intencionais incluem:

- Existem consequências indesejáveis nas estratégias que encontraste para te protegeres?

- O que acontece quando fazes isso?

- Qual é o impacto de agir dessa forma nos teus relacionamentos/nos teus sentimentos/na tua vida?

- Qual é a desvantagem de agir dessa forma?

5.     Relação contigo próprio

Já sabemos que o modelo de «três círculos» dos sistemas de regulação emocional (ameaça, motivação e segurança) é fundamental para a compreensão do teu funcionamento psicológico. Se o teu sistema de segurança é subdesenvolvido por qualquer motivo, é provável que tenhas um repertório limitado de estratégias para gerir as tuas emoções: na ausência de um sistema de segurança bem desenvolvido, o relacionamento contigo mesmo será punitivo ou crítico.

Na ausência de um sistema de segurança bem desenvolvido, as consequências involuntárias das estratégias de segurança são muitas vezes recebidas com uma dura autocrítica que exacerba ainda mais os principais medos e ameaças. É útil explicar isto ao pormenor.

- Que tipo de coisas dizes a ti próprio?

- Em que tom de voz essas coisas são ditas?

- Este tom lembra-te alguém?

- Porque que é que falas contigo mesmo dessa forma? Que efeito tem isso em ti (por exemplo, motiva-te a fazer as coisas, a não ser preguiçoso?

- Onde aprendeste a falar contigo assim?

- Falarias assim com outra pessoa?

- Como te sentes quando falas contigo assim?

 


https://www.conexasaude.com.br/blog/autoconhecimento/

 

 

Seromenho, S. Não é Loucura, é Ansiedade - Primeiros Socorros para Combateres a Doença do Século. Lisboa: Contraponto.(2022). 

Jogo de palavras do sono

 “Preencha os espaços em branco:

Porque é importante Dormir Bem

À noite, quando são __________(uma hora), gosto de me meter na minha __________(adjetivo) cama. Demoro pouco tempo a ______________(verbo) num ___________(adjetivo) sono. Este tipo de sono é bom, porque um sono de má qualidade pode levar a ____________(problema de saúde). Os cientistas demonstraram, num ____________(adjetivo) estudo recente sobre as ____________(partes do corpo) humanas, que dormir menos de _______(horas) por noite pode levar a um ___________(adjetivo) caso de ____________(problema de saúde).


https://www.grupomast.com.br/a-ciencia-explica-dormir-bem-e-essencial/

Hilariante, não é? O que é espantoso neste puzzle linguístico sobre o sono é que há relativamente poucas formas de preencher os espaços que sejam capazes de tornar a história falsa. No “problema de saúde” poderia ter escrito hipertensão, ataque cardíaco, acidente vascular cerebral, obesidade, diabetes, cancro, insuficiência cardíaca, enxaqueca, fibrilhação auricular, depressão, enurese ou distúrbios neurodegenerativos e perturbações de memória, como a doença de Alzheimer. A lista é interminável e todas as respostas fazem perfeito sentido!

Na minha opinião, os três principais pilares para uma boa saúde sobre os quais podemos exercer algum controlo são: nutrição, exercício e sono. Este último é um processo incrivelmente importante que tem lugar no nosso corpo. Compreenda, que o sono não é a ausência de vigília. Por outras palavras, o sono não é um interruptor no seu cérebro que ou está ligado (quando lê um livro, quando bebe café, etc.) ou desligado (quando dorme). Durante a noite, quando está a dormir, o seu corpo faz coisas incríveis.”

Winter, W. C. (2017). Dormir Bem Para Viver Melhor. Porto: Albatroz.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Fatores que influenciam a mudança: A motivação do cliente

 “Hubble e colaboradores (1999) realizaram um estudo sobre os fatores que estão numa base de uma mudança de comportamento do cliente no âmbito de uma intervenção terapêutica, tendo identificado a importância relativa que cada um deles pode ter nesse processo.”...

“A motivação do cliente para uma mudança é um fator importante para que a mesma ocorra. No entanto, na maioria das vezes, este conceito é mal entendido e de difícil avaliação para o profissional que lida com o cliente, resultando em tentativas de intervenção com poucas probabilidades de êxito.

https://www.tobaccopreventioncessation.com/Is-the-motivation-to-quit-smoking-a-predictor-of-abstinence-maintenance-,136506,0,2.html

Existe uma tendência natural para se considerar que um cliente está motivado quando este:

- Concorda com o profissional de saúde.

- Aceita o seu diagnóstico.

- Expressa vontade em mudar ou em ser ajudado.

- Está incomodado com a sua situação pessoal.

- Expressa a vontade de seguir os conselhos dados.

De forma oposta, considera-se que um cliente está desmotivado quando expressa comportamentos contrários aos acima mencionados:

- Não concorda com o profissional de saúde.

- Não aceite ou discute o diagnóstico feito.

- Refere não querer mudar.

- Acha que a sua situação é bastante cómoda não lhe causando quaisquer problemas.

Portanto, discordar do profissional de saúde representaria o que muitas vezes se denomina estar «em negação» e concordar seria ter um insight.

Na prática, isto não corresponde à verdade. A questão é que se julga a motivação pelo que o cliente diz ou não diz e não pelo que este realmente faz, ou seja, pelo seu comportamento no dia-a-dia.

A aceitação do diagnóstico

Em primeiro lugar, nem todos os clientes que têm dificuldade em aceitar o diagnóstico ou não concordam com o profissional de saúde estão desmotivados. Aliás, muitos deles demonstram através destas atitudes e seu envolvimento na mudança já que estão dispostos a discutir e a compreender melhor os assuntos que estão em causa. Este tipo de comportamento pode ser encontrado, por exemplo, em pessoas que se estão a preparar para fazer uma mudança de comportamento. Pelo contrário, assumir um diagnóstico passivamente não prediz o êxito do tratamento, muitas vezes é uma desculpa para não realizar qualquer mudança.

A concordância com o profissional de saúde

O que o cliente diz ou deixa transparecer não é garantia de que ele fará o que verbalizou. Clientes muito submissos às orientações dadas estão na verdade muitas vezes acomodados à sua situação atual e sem esperança face a qualquer mudança deixando o profissional, literalmente, a «falar sozinho». Da mesma forma, o facto de o cliente dizer que quer mudar poderá significar que existe uma intenção mas tal não implica qualquer compromisso em termos da sua concretização efetiva ou do tempo que decorrerá até esta se efetuar.

É comum as pessoas dizerem uma coisa e fazerem outra. No entanto, o que parece predizer uma mudança é a adesão do cliente a um plano concreto, estabelecido conjuntamente. Desta forma, o termo motivação torna-se mais específico e pragmático: se a motivação é vista como o grau de compromisso ou adesão ao tratamento, esta pode ser encarada como a probabilidade de certos comportamentos ocorrerem (Jungerman et al. 1999). Nesse sentido, a motivação pode ser definida como a probabilidade de a pessoa aderir, envolver-se e preservar numa estratégia específica de mudança (Miller et al., 2001).

A motivação não deve ser encarada como um traço da personalidade inerente ao caráter da pessoa, mas sim como um estado de prontidão ou vontade de mudar, que pode ser diferente de um momento para outro e de uma situação para outra.

Trata-se assim de uma caraterística dinâmica e não de uma aspeto estático do individuo, que pode sofrer influências de fatores externos, incluindo o profissional de saúde com quem este contacta. Neste sentido, a motivação torna-se um objetivo crucial para aqueles que intervêm com o cliente: estes devem orientar e motivar o cliente, isto é, aumentar a probabilidade de que este siga uma linha de ação que provoque uma mudança.

Filho, C. F.-B. (2007). Intervenções Breves: Tabaco - Manual Técnico e Cd-Rom. Mafra: CLIMEPSI EDITORES.

Siesta and Go: Quando a sesta se torna num negócio

 

Os grande centros urbanos em Espanha alienaram uma forte tradição do país: a sesta. Mas, depois de uma viagem ao Japão, uma espanhola viu aí uma oportunidade de negócio. E, aparentemente, costuma ter casa cheia.

Em Portugal, muitos devem saber que a sesta é uma tradição em Espanha. Em muitos locais do país vizinho, a meio do dia, as lojas e os serviços fecham para uma hora de almoço prolongada. Mas, como em muitas outras coisas, a tradição já não é o que era e nos grandes centros urbanos, essa tradição perdeu-se. E houve quem tenha encontrado aí uma oportunidade.

Nas grandes cidades, as novas tendências empresariais e de vida colocaram um ponto final a esta prática, "deixando muitos espanhóis que trabalham muitas horas exaustos", escreve a Bloomberg. Por isso, Maria Estrella Jorro de Inza descobriu como recuperar a tradição e fazer dinheiro com isso. Lançou a Siesta and Go, o primeiro bar onde é possível fazer a sesta em pleno centro financeiro na capital, Madrid.

O conceito é simples, explica a Bloomberg. Por 14 euros por hora é possível dormir a sesta num quarto privado. Este bar dispõe de 19 camas. E aos clientes é dado lençóis limpos, chinelos, tampões para ouvidos e acesso a uma área onde há café. "É engraçado [porque] somos conhecidos pela sesta, mas não temos sido profissionais em relação a isso", disse De Inza, à Bloomberg.

"Temos muitos homens de fato que apenas querem relaxar e mulheres que querem tirar os sapatos de salto alto. A hora de almoço é altura mais movimentada", acrescentou.

A inspiração para este bar, onde se pode fazer uma sesta, surgiu durante uma viagem à capital japonesa, Tóquio, de Maria Estrella Jorro de Inza onde há muitas opções para as pessoas descansarem durante um curto espaço de tempo. 



https://siesta-go.hoteles-madrid.net/pt/

https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/pme/start-ups/detalhe/siesta-and-go-quando-a-sesta-se-torna-num-negocio

 

Exercício 2: Conceptualização de Caso

Sophie Seromenho no livro “Não é Loucura, É Ansiedade” sugere a execução de alguns exercícios ...

“A Terapia Focada na Compaixão (CFT) é uma forma de terapia psicológica de 3ª geração desenvolvida por Paul Gilbert, que se baseia em princípios budistas, nos fundamentos da psicologia evolutiva, na psicologia do desenvolvimento, na teoria da vinculação e na neurociência.


https://www.conquersocialanxiety.com/terapias-baseadas-na-compaixao-para-ansiedade-social/

Dentro da CFT, há dois métodos frequentemente usado para compreender as dificuldades de uma pessoa.

Uma das abordagens mais comuns é a conceptualização dos «três sistemas», que ilustra os sistemas de «ameaça», «motivação» e «segurança» da pessoa e descreve as dificuldades em termos de função e equilíbrio relativo desses sistemas, tal como fizeste anteriormente.

Outro tipo de conceptualização de caso na CFT é a formulação com foco na ameaça, que é o que vais fazer agora.

Trata-se de uma abordagem longitudinal que vincula as dificuldades históricas aos medos e estratégias de segurança atuais. Este tipo de formulação CFT é projetado para ajudar as pessoas a perceberem de que modo a sua história pessoal sensibilizou (ou «treinou») o seu sistema de ameaça (ou seja, o que aprenderam a temer).

Este diagrama de Formulação CFT foi desenhado para te ajudar a chegar a uma compreensão mais pormenorizada da tua vida, de quem és hoje e das tuas experiências.

Instruções

Completa o diagrama (próxima newsletter) conforme cada tópico que te é apresentado e respondendo às seguintes questões:

1.     Influências históricas. Começa por explorar experiências-chave e memórias emocionais.

- Consegues lembrar-te de experiências importantes/marcantes que possam ter-te afetado ou moldado?

- Enquanto crescias, como era o teu relacionamento com os teus pais/irmãos/família mais ampla/amigos?

- Tiveste alguma experiência na tua vida em que sentiste que não importavas (por exemplo, na família, no emprego, nos relacionamentos íntimos)?

- Consegues recordar alguma experiência em que te tenhas sentido ameaçado, rejeitado, criticado ou culpado (por exemplo, bullying, não te encaixares na escola ou no emprego, seres magoado/traído)?

2.     Medos e ameaças

Os nossos medos e ameaças são originados pelas nossas próprias experiências. A CFT refere que muitos dos nossos medos e ameaças «envolvem preocupações arquetípicas ligadas à rejeição, abandono, isolamento, vergonha e dano». Uma componente interessante da formulação CFT é que distingue ameaças externas e internas. As primeiras são as preocupações sobre o que as outras pessoas podem pensar ou sentir sobre nós ou fazer connosco (por exemplo, «não sou digno»), as nossas emoções (por exemplo, «não consigo lidar com isso»; «se ficar com raiva, vou perder o controlo»), memórias (por exemplo, preocupação com o que significam as nossas memórias indesejadas), ou preocupações sobre sentirmo-nos sozinhos ou desconectados dos outros. As perguntas para explorar medos e ameaças podem incluir:

- O que temes o que os outros pensem de ti?

- O que temes que as outras pessoas te façam?

- Do que tens mais medo?

- O que achas que as outras pessoas pensariam de ti se realmente soubessem o que aconteceu contigo?

- Quais são as tuas preocupações acerca de ti mesmo?

- Quais são os teus medos acerca de ti próprio (por exemplo, não ter valor, não ser suficientemente bom)?

- Tens alguma emoção, memória ou experiência contra o qual lutas?

3. Estratégias de Segurança

Todos nós tentamos ativamente lidar com o mundo ao nosso redor e gerir as nossas próprias experiências internas. A CFT entende que:

. Essas estratégias têm como objetivo regular o nosso sistema de ameaça. São tentativas de «manter a segurança». As estratégias podem diferir, dependendo se estamos a tentar gerir ameaças internas ou externas.

. Desenvolver formas (pré-programadas) de responder às ameaças percebidas (por exemplo, congelar, lutar ou fugir).

. Também temos maneiras temperamentais de responder (por exemplo, algumas pessoas são mais propensas a aproximar-se, outras a evitar.

. As estratégias podem ter sido aprendidas durante a infância ou adolescência e reforçadas com o tempo (por exemplo: «É compreensível que tenhas aprendido a comportar-te desta maneira – no contexto em que o comportamento se desenvolveu, fez muito sentido. Agora que não estás nessa situação, será que essa estratégia está realmente a ajudar-te?».

As perguntas a explorar as estratégias de segurança podem incluir:

- O que fazer para lidar com a ativação dos teus medos (por exemplo, evitar, buscar garantias, ficar na defensiva)?

- O que fazes quando estás cara a cara com os teus medos?

- O que fazes para te protegeres do mundo e das outras pessoas?

- O que fazes para te protegeres dos teus próprios pensamentos, sentimentos e memórias?

 

 

 

Seromenho, S. Não é Loucura, é Ansiedade - Primeiros Socorros para Combateres a Doença do Século. Lisboa: Contraponto.(2022).