sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Fatores que influenciam a mudança: A motivação do cliente

 “Hubble e colaboradores (1999) realizaram um estudo sobre os fatores que estão numa base de uma mudança de comportamento do cliente no âmbito de uma intervenção terapêutica, tendo identificado a importância relativa que cada um deles pode ter nesse processo.”...

“A motivação do cliente para uma mudança é um fator importante para que a mesma ocorra. No entanto, na maioria das vezes, este conceito é mal entendido e de difícil avaliação para o profissional que lida com o cliente, resultando em tentativas de intervenção com poucas probabilidades de êxito.

https://www.tobaccopreventioncessation.com/Is-the-motivation-to-quit-smoking-a-predictor-of-abstinence-maintenance-,136506,0,2.html

Existe uma tendência natural para se considerar que um cliente está motivado quando este:

- Concorda com o profissional de saúde.

- Aceita o seu diagnóstico.

- Expressa vontade em mudar ou em ser ajudado.

- Está incomodado com a sua situação pessoal.

- Expressa a vontade de seguir os conselhos dados.

De forma oposta, considera-se que um cliente está desmotivado quando expressa comportamentos contrários aos acima mencionados:

- Não concorda com o profissional de saúde.

- Não aceite ou discute o diagnóstico feito.

- Refere não querer mudar.

- Acha que a sua situação é bastante cómoda não lhe causando quaisquer problemas.

Portanto, discordar do profissional de saúde representaria o que muitas vezes se denomina estar «em negação» e concordar seria ter um insight.

Na prática, isto não corresponde à verdade. A questão é que se julga a motivação pelo que o cliente diz ou não diz e não pelo que este realmente faz, ou seja, pelo seu comportamento no dia-a-dia.

A aceitação do diagnóstico

Em primeiro lugar, nem todos os clientes que têm dificuldade em aceitar o diagnóstico ou não concordam com o profissional de saúde estão desmotivados. Aliás, muitos deles demonstram através destas atitudes e seu envolvimento na mudança já que estão dispostos a discutir e a compreender melhor os assuntos que estão em causa. Este tipo de comportamento pode ser encontrado, por exemplo, em pessoas que se estão a preparar para fazer uma mudança de comportamento. Pelo contrário, assumir um diagnóstico passivamente não prediz o êxito do tratamento, muitas vezes é uma desculpa para não realizar qualquer mudança.

A concordância com o profissional de saúde

O que o cliente diz ou deixa transparecer não é garantia de que ele fará o que verbalizou. Clientes muito submissos às orientações dadas estão na verdade muitas vezes acomodados à sua situação atual e sem esperança face a qualquer mudança deixando o profissional, literalmente, a «falar sozinho». Da mesma forma, o facto de o cliente dizer que quer mudar poderá significar que existe uma intenção mas tal não implica qualquer compromisso em termos da sua concretização efetiva ou do tempo que decorrerá até esta se efetuar.

É comum as pessoas dizerem uma coisa e fazerem outra. No entanto, o que parece predizer uma mudança é a adesão do cliente a um plano concreto, estabelecido conjuntamente. Desta forma, o termo motivação torna-se mais específico e pragmático: se a motivação é vista como o grau de compromisso ou adesão ao tratamento, esta pode ser encarada como a probabilidade de certos comportamentos ocorrerem (Jungerman et al. 1999). Nesse sentido, a motivação pode ser definida como a probabilidade de a pessoa aderir, envolver-se e preservar numa estratégia específica de mudança (Miller et al., 2001).

A motivação não deve ser encarada como um traço da personalidade inerente ao caráter da pessoa, mas sim como um estado de prontidão ou vontade de mudar, que pode ser diferente de um momento para outro e de uma situação para outra.

Trata-se assim de uma caraterística dinâmica e não de uma aspeto estático do individuo, que pode sofrer influências de fatores externos, incluindo o profissional de saúde com quem este contacta. Neste sentido, a motivação torna-se um objetivo crucial para aqueles que intervêm com o cliente: estes devem orientar e motivar o cliente, isto é, aumentar a probabilidade de que este siga uma linha de ação que provoque uma mudança.

Filho, C. F.-B. (2007). Intervenções Breves: Tabaco - Manual Técnico e Cd-Rom. Mafra: CLIMEPSI EDITORES.

Siesta and Go: Quando a sesta se torna num negócio

 

Os grande centros urbanos em Espanha alienaram uma forte tradição do país: a sesta. Mas, depois de uma viagem ao Japão, uma espanhola viu aí uma oportunidade de negócio. E, aparentemente, costuma ter casa cheia.

Em Portugal, muitos devem saber que a sesta é uma tradição em Espanha. Em muitos locais do país vizinho, a meio do dia, as lojas e os serviços fecham para uma hora de almoço prolongada. Mas, como em muitas outras coisas, a tradição já não é o que era e nos grandes centros urbanos, essa tradição perdeu-se. E houve quem tenha encontrado aí uma oportunidade.

Nas grandes cidades, as novas tendências empresariais e de vida colocaram um ponto final a esta prática, "deixando muitos espanhóis que trabalham muitas horas exaustos", escreve a Bloomberg. Por isso, Maria Estrella Jorro de Inza descobriu como recuperar a tradição e fazer dinheiro com isso. Lançou a Siesta and Go, o primeiro bar onde é possível fazer a sesta em pleno centro financeiro na capital, Madrid.

O conceito é simples, explica a Bloomberg. Por 14 euros por hora é possível dormir a sesta num quarto privado. Este bar dispõe de 19 camas. E aos clientes é dado lençóis limpos, chinelos, tampões para ouvidos e acesso a uma área onde há café. "É engraçado [porque] somos conhecidos pela sesta, mas não temos sido profissionais em relação a isso", disse De Inza, à Bloomberg.

"Temos muitos homens de fato que apenas querem relaxar e mulheres que querem tirar os sapatos de salto alto. A hora de almoço é altura mais movimentada", acrescentou.

A inspiração para este bar, onde se pode fazer uma sesta, surgiu durante uma viagem à capital japonesa, Tóquio, de Maria Estrella Jorro de Inza onde há muitas opções para as pessoas descansarem durante um curto espaço de tempo. 



https://siesta-go.hoteles-madrid.net/pt/

https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/pme/start-ups/detalhe/siesta-and-go-quando-a-sesta-se-torna-num-negocio

 

Exercício 2: Conceptualização de Caso

Sophie Seromenho no livro “Não é Loucura, É Ansiedade” sugere a execução de alguns exercícios ...

“A Terapia Focada na Compaixão (CFT) é uma forma de terapia psicológica de 3ª geração desenvolvida por Paul Gilbert, que se baseia em princípios budistas, nos fundamentos da psicologia evolutiva, na psicologia do desenvolvimento, na teoria da vinculação e na neurociência.


https://www.conquersocialanxiety.com/terapias-baseadas-na-compaixao-para-ansiedade-social/

Dentro da CFT, há dois métodos frequentemente usado para compreender as dificuldades de uma pessoa.

Uma das abordagens mais comuns é a conceptualização dos «três sistemas», que ilustra os sistemas de «ameaça», «motivação» e «segurança» da pessoa e descreve as dificuldades em termos de função e equilíbrio relativo desses sistemas, tal como fizeste anteriormente.

Outro tipo de conceptualização de caso na CFT é a formulação com foco na ameaça, que é o que vais fazer agora.

Trata-se de uma abordagem longitudinal que vincula as dificuldades históricas aos medos e estratégias de segurança atuais. Este tipo de formulação CFT é projetado para ajudar as pessoas a perceberem de que modo a sua história pessoal sensibilizou (ou «treinou») o seu sistema de ameaça (ou seja, o que aprenderam a temer).

Este diagrama de Formulação CFT foi desenhado para te ajudar a chegar a uma compreensão mais pormenorizada da tua vida, de quem és hoje e das tuas experiências.

Instruções

Completa o diagrama (próxima newsletter) conforme cada tópico que te é apresentado e respondendo às seguintes questões:

1.     Influências históricas. Começa por explorar experiências-chave e memórias emocionais.

- Consegues lembrar-te de experiências importantes/marcantes que possam ter-te afetado ou moldado?

- Enquanto crescias, como era o teu relacionamento com os teus pais/irmãos/família mais ampla/amigos?

- Tiveste alguma experiência na tua vida em que sentiste que não importavas (por exemplo, na família, no emprego, nos relacionamentos íntimos)?

- Consegues recordar alguma experiência em que te tenhas sentido ameaçado, rejeitado, criticado ou culpado (por exemplo, bullying, não te encaixares na escola ou no emprego, seres magoado/traído)?

2.     Medos e ameaças

Os nossos medos e ameaças são originados pelas nossas próprias experiências. A CFT refere que muitos dos nossos medos e ameaças «envolvem preocupações arquetípicas ligadas à rejeição, abandono, isolamento, vergonha e dano». Uma componente interessante da formulação CFT é que distingue ameaças externas e internas. As primeiras são as preocupações sobre o que as outras pessoas podem pensar ou sentir sobre nós ou fazer connosco (por exemplo, «não sou digno»), as nossas emoções (por exemplo, «não consigo lidar com isso»; «se ficar com raiva, vou perder o controlo»), memórias (por exemplo, preocupação com o que significam as nossas memórias indesejadas), ou preocupações sobre sentirmo-nos sozinhos ou desconectados dos outros. As perguntas para explorar medos e ameaças podem incluir:

- O que temes o que os outros pensem de ti?

- O que temes que as outras pessoas te façam?

- Do que tens mais medo?

- O que achas que as outras pessoas pensariam de ti se realmente soubessem o que aconteceu contigo?

- Quais são as tuas preocupações acerca de ti mesmo?

- Quais são os teus medos acerca de ti próprio (por exemplo, não ter valor, não ser suficientemente bom)?

- Tens alguma emoção, memória ou experiência contra o qual lutas?

3. Estratégias de Segurança

Todos nós tentamos ativamente lidar com o mundo ao nosso redor e gerir as nossas próprias experiências internas. A CFT entende que:

. Essas estratégias têm como objetivo regular o nosso sistema de ameaça. São tentativas de «manter a segurança». As estratégias podem diferir, dependendo se estamos a tentar gerir ameaças internas ou externas.

. Desenvolver formas (pré-programadas) de responder às ameaças percebidas (por exemplo, congelar, lutar ou fugir).

. Também temos maneiras temperamentais de responder (por exemplo, algumas pessoas são mais propensas a aproximar-se, outras a evitar.

. As estratégias podem ter sido aprendidas durante a infância ou adolescência e reforçadas com o tempo (por exemplo: «É compreensível que tenhas aprendido a comportar-te desta maneira – no contexto em que o comportamento se desenvolveu, fez muito sentido. Agora que não estás nessa situação, será que essa estratégia está realmente a ajudar-te?».

As perguntas a explorar as estratégias de segurança podem incluir:

- O que fazer para lidar com a ativação dos teus medos (por exemplo, evitar, buscar garantias, ficar na defensiva)?

- O que fazes quando estás cara a cara com os teus medos?

- O que fazes para te protegeres do mundo e das outras pessoas?

- O que fazes para te protegeres dos teus próprios pensamentos, sentimentos e memórias?

 

 

 

Seromenho, S. Não é Loucura, é Ansiedade - Primeiros Socorros para Combateres a Doença do Século. Lisboa: Contraponto.(2022).