A newsletter deste mês pretende
elucidar/rever o mecanismo do pulmão. Este texto é retirado do livro “As
doenças dos pulmões” escrito pelo Dr. Edouard Arnold.
“...a saúde representa um capital
de valor inestimável, que cada um deve gerir o mais conscientemente possível.
Para tanto é preciso que o público esteja informado ...”
“ A função primordial do pulmão é
assegurar a respiração. Esta função básica do nosso organismo consiste em
trazer ao nosso sangue o oxigénio que o sangue, pela circulação arterial,
conduzirá a todos os nossos órgãos. Em sentido inverso, o sangue transferirá
para o ar o anidrido carbónico, resíduo resultante da atividade dos nossos tecidos,
que assim será eliminado. É inútil dizer que esta função é essencial para tudo
o que vive na Terra.
O pulmão tem ainda outras funções.
Assim, as pesquisas modernas mostraram que desempenhava o papel da glândula e
fornecia ao nosso organismo numerosas substâncias que nos são necessárias.
Nesta função respiratória, os
pulmões estão, pois, encarregados de assegurar a ventilação pela inspiração,
que introduz o ar, e pela expiração, que o rejeita para o exterior. Trata-se de
conduzir o ar no qual vivemos até ao local onde se realizará o contacto com o
sangue e onde se operará a troca de gases. O ar penetra pelo nariz e a boca; é
conduzido pela traqueia até dois grandes brônquios, um à direita, para o pulmão
direito, outro à esquerda, para o pulmão esquerdo. A partir daí, cada brônquio
divide-se numa quantidade de brônquios cada vez mais pequenos. (...)
Estes brônquios conduzem ao tecido
pulmonar formado por uma infinidade de pequenas cavidades, os alvéolos
pulmonares. (...)
É ao nível dos alvéolos que se
realizará o contacto ar-sangue, sede íntima da respiração. (...)
Entre os alvéolos situa-se um
espaço, o tecido intersticial; contém elementos de sustentação, que garante ao
pulmão a sua integridade, fibras elásticas que permitem a modificação do volume
do órgão entre a inspiração e a expiração, células de diversos tipos com
funções múltiplas, e sobretudo os capilares, que levam o sangue à parede
alveolar.
É, pois, através desta parede
alveolar que se fará a troca de gases: o oxigénio sairá do alvéolo para se
dirigir ao sangue, e o anidrido carbónico abandonará o sangue para penetrar no
alvéolo a fim de ser eliminado durante a expiração.
Para completar o esquema,
recordemos o essencial da circulação do sangue: o sangue reabastecido em
oxigénio abandona o pulmão pelas veias pulmonares que o conduzem à aurícula
esquerda do coração; passa para o ventrículo esquerdo, depois através da aorta
e de todo o sistema arterial, alcançará todos os nossos órgãos a fim de lhes
levar o oxigénio necessário. Da periferia, o sangue carregado pelo anidrido
carbónico voltará ao coração através do sistema venoso, que desemboca na
aurícula direita; passa pelo ventrículo direito, que, através das artérias
pulmonares e das suas bifurcações, se espalhará pelo pulmão para ali abandonar
o seu anidrido carbónico. Assim, o ciclo completou-se, o processo de respiração
realizou-se.
O pulmão, na totalidade dos seus
lobos, é envolvido por uma membrana muito fina: a pleura. Na realidade, há duas
pleuras, a que envolve o pulmão e a que recorre a superfície interna do tórax.
Estas duas pleuras estão em contacto, mas podem deslizar uma sobre a outra, o
que garante a mobilidade do pulmão no jogo da inspiração e da expiração.
A consequência das doenças é
sempre a mesma, independentemente do elemento que afeta, seja nos pulmões, nos
brônquios, na pleura ou no tecido intersticial: deficiência da respiração.
Mas o nosso organismo
defender-se-á, graças às conexões que existem – através do sistema nervoso –
entre os nossos diferentes aparelhos. Assim, se a superfície do contacto
ar-sangue diminui demais, reagiremos enviando aos nossos pulmões uma maior quantidade
de sangue, compensamos aumentando o caudal circulatório. Para isso, o nosso
coração baterá a um ritmo mais rápido. De resto, cada um de nós pode constatar
o fenómeno fazendo um esforço: este esforço exige um suplemento de oxigénio e
notamos a nítida aceleração do nosso pulso.
Este mecanismo de compensação
explica a consequência possível das doenças pulmonares, sobretudo se estas
forem crónicas: é a afeção cardíaca.
O coração, demasiado solicitado,
cansa-se e, por sua vez, dará sinais de insuficiência. Assim, o bronquítico
crónico ou o enfisematoso poderá morrer de insuficiência cardíaca.”
Dr. Edouard Arnold, nascido em 1909, presidente da Associação Suíça
contra a Tuberculose e as Doenças Pulmonares, é também membro do conselho da
União Internacional da Tuberculose

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