quinta-feira, 7 de junho de 2018

Tabagismo. Um fator de afirmação nos jovens?!

De acordo com vários autores, o fumar é um processo mimético, ou seja, predisposição de uma pessoa para adaptar as opiniões e comportamentos aos de outra pessoa a quem quer agradar. Os adolescentes, adotam comportamentos aceitos na sociedade, e aprendem a fumar em contato com o seu ambiente familiar, escolar e social, considerado um comportamento psicossocial (Precioso, 1999).
O adolescente não se torna fumador espontaneamente, existem vários fatores, que podem predizer o comportamento de fumar tais como: as influências e pressões dos amigos, dos pais, os modelos apresentados pelos media, alguns fatores psicológicos, tais como a rebeldia, o exibicionismo, o desejo de impressionar os indivíduos do sexo oposto, e a simples imitação.
Podemos afirmar que a atitude e o comportamento dos amigos, dos pais, dos irmãos e dos ídolos, o desejo de ser como os colegas e fazer o que eles fazem, a dificuldade de resistir às pressões, realizadas geralmente pela oferta de cigarros e o receio de cair no ridículo pela recusa ou não adoção de um comportamento generalizado no grupo, o desconhecimento dos riscos do fumo do cigarro, o desejo de querer ser e comportar-se como adulto, expressão de independência face à infância, a curiosidade natural do indivíduo, e algumas crenças relacionadas com o fumo, tais como, “o tabaco emagrece”, “ajuda a esquecer” e a “resolver os problemas”, foram desde sempre fatores influentes na adoção do hábito de fumar.

Nos adolescentes por exemplo, a busca de identidade leva à aquisição de diferentes papéis permitindo ao adolescente formar um novo Eu que lhe é próprio e característico.
Cada vez mais o grupo de companheiros proporciona ao adolescente uma oportunidade de identificação, por vezes a força do grupo vai contrariar a vontade do indivíduo, anulando-se a si próprio, adotando atitudes que contrariam por vezes a sua vontade, mas se não o fizer pode não ser bem visto ou aceite perante o grupo de pares.
De acordo com alguns autores nomeadamente, Precioso (1999) existem alguns fatores que podem contribuir para a aquisição do hábito de fumar, tais como: fatores sociais, ambientais e pessoais. O comportamento dos amigos, no que respeita ao tabaco, é o fator social mais influente na aquisição do hábito de fumar dos adolescentes, o fumar é o resultado da pressão do grupo, muitos adolescentes não compraram o seu primeiro cigarro mas receberam-no dos seus pares.
Os indivíduos que fumam, frequentemente fazem-no com os amigos e fumar representa para eles uma atividade social. A influência das companhias, é um importante mecanismo para a manutenção do hábito pelo que, muitos adolescentes experimentam fumar em grupo. O comportamento e as atitudes dos pais em relação ao tabaco estão consistentemente associados ao hábito de fumar nos adolescentes. O comportamento dos pais embora não seja o único determinante do hábito de fumar dos filhos, mas pode influenciá-los.
Admite-se que a criança/adolescente que vê o pai e/ou a mãe fumar pode tender a imitá-los. Por outro lado os pais fumadores têm menos sensibilidade, predisposição e autoridade para desaconselhar o fumo dos filhos. Esta situação faz com que o adolescente possa ser condicionado pelo modelo dos pais e/ou não obtenha destes o necessário apoio, para o ajudar a resistir às influências pró-fumo que frequentemente encontra no seu ambiente natural e social.
Podemos afirmar que, o ambiente social em geral poderá contribuir para o desenvolvimento do hábito de fumar. As ações dos adolescentes refletem as atitudes, valores e normas da sociedade em que vivem, se veem o ato de fumar como um comportamento social, eles que querem ser como os adultos podem ver o tabaco como uma via para o ser.
É necessário que os adolescentes consigam desenvolver confiança e maturidade, como base contentora, de forma a resistir mais facilmente às pressões sociais para fumar, sendo um forte contributo para a redução da prevalência do tabagismo nos jovens. Embora o comportamento e a atitude dos pais e dos amigos sejam fatores muito importantes na adoção do comportamento de fumar, é razoável admitir que as crianças/adolescentes serão mais facilmente fumadoras se forem encorajadas a fazê-lo, pelas pressões fora do círculo da família e dos amigos.
Podemos referir também, que a publicidade é um fator ambiental muitas vezes apontado como responsável pelo desenvolvimento do comportamento de fumar. A publicidade ao tabaco promove a ideia de que fumar proporciona maturidade, confere um ar de rebeldia, proporciona fantasia, arrojo, aumenta o rendimento físico e às raparigas confere a tão desejada independência, sofisticação, segurança e o famoso sex-appeal.
Fumar começa, cada vez mais, a ser um hábito feminino, o que levou alguns autores a estudar as diferenças de motivação entre os adolescentes de ambos os sexos.
De acordo com Miller e Slap (1989) citados por Precioso (1999) foram definidos 3 fatores relacionados com o tabagismo nos adolescentes:
  • Comportamento tabágico da família.
  • Comportamento tabágico dos amigos.
  • Conhecimentos e atitudes sobre o tabaco.

Concluiu-se que a literatura sustenta uma consistente relação do tabagismo dos adolescentes, com os três fatores acima mencionados, ou seja, o consumo de tabaco dos pais, se houver comportamentos tabágicos acentuados, e se o grupo de amigos que o indivíduo tem for de fumadores. Todos estes aspetos vão influenciar o comportamento de fumar nos indivíduos.
Podemos afirmar, que a vida familiar não oferece a muitos adolescentes um apoio firme na vida e é para as escolas que as comunidades se voltam em busca de corretivos para as deficiências dos adolescentes na área das competências sociais. Mas as escolas por sua vez não têm preparação para dar resposta às necessidades dos alunos. Isto exige grandes modificações, que os professores vão mais além da sua missão tradicional e que haja uma parceria saúde/escola.
Julgamos importante referir que os Encarregados de Educação, estivessem atentos e estabelecessem mais diálogo com os seus educandos, sobre comportamentos de saúde.
Hoje em dia, nota-se uma grande falta de conversação entre pais e filhos, o que leva muitos adolescentes a terem poucos ou nenhuns objetivos, não sabendo que rumo dar às suas vidas.
Verifica-se que a maioria das famílias portuguesas não têm tempo para os seus filhos, talvez por profissões exigentes demais, ou por descuido, ocupando o tempo com outras tarefas que não é propriamente a formação e a educação dos filhos. Por vezes, o trabalho exaustivo e as horas tardias que regressam a casa, leva a uma incompatibilidade de horários entre ambos.
Finalmente, quando se consegue arranjar um encontro em casa entre todos, os filhos preferem jogar jogos de computador e os pais preferem ver televisão à hora das refeições. Tudo isto, leva a uma grande ausência e a um grande desencontro entre todos que vivem na mesma casa, não se estabelecendo prioridades. 
Pode-se dizer, que a tradição já não é o que era, o conceito de família está-se a perder com o tempo, bem como os valores e princípios. Seria importante os pais estabelecerem mais contato e diálogo com os seus filhos, para que o futuro das novas gerações seja mais feliz e saudável.
Julgamos importante que os Encarregados de Educação, estivessem atentos e estabelecessem mais diálogo com os seus educandos, sobre comportamentos de saúde, dando especial atenção ao início da adolescência, que é entre os 10 e os 11 anos aproximadamente, pois é nessa fase que o adolescente começa a procurar a sua identidade.

Referências Bibliográficas
Precioso, A. (1999). Educação para a Saúde na Escola: Um Estudo sobre a Prevenção do Hábito de Fumar. Braga: Editor Livraria Minho.
http://www.psicologia.pt/artigos/ver_opiniao.php?tabagismo-um-fator-de-afirmacao-nos-jovens&codigo=AOP0445
www.parardefumar.pt

quarta-feira, 30 de maio de 2018

“Eu Fumo Tu Fumas”

Dia Mundial Sem Tabaco, 31 de Maio
Alergias
No âmbito do Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala anualmente no dia 31 de Maio, a Sociedade Portuguesa de Pediatria insiste na prevenção da exposição ao Fumo Ambiental de Tabaco (FAT), relembrando a campanha da Direção-Geral da Saúde (DGS), através do Programa Nacional para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo,   lançada em Março deste ano.
Em Março deste ano decorreu na televisão, rádio, imprensa e internet a campanha publicitária lançada pela DGS “Eu Fumo Tu Fumas” . Os principais destinatários foram os pais e cuidadores de crianças, sensibilizando-os para o perigo “invisível” do fumo do tabaco, recorrendo a imagens de crianças e bebés a exalar o fumo do cigarro que um adulto fuma.
Sabe-se que para além da nicotina, o tabaco contém mais de 4000 substâncias com efeitos tóxicos e irritantes, outros com efeitos cancerígenos e substâncias radioativas. TODOS os produtos do tabaco são nocivos para a saúde, NÃO havendo um LIMIAR seguro de exposição. As concentrações em espaços fechados, como os restaurantes, ou espaços confinados, como os automóveis, podem ser especialmente elevadas. Estes químicos tóxicos permanecem no interior da casa ou do carro muitas horas depois de se ter fumado um cigarro, não desaparecendo totalmente, mesmo com as janelas abertas.
Mais de 80% do fumo do tabaco é invisível, impedindo que as pessoas tenham uma verdadeira percepção do risco a que estão expostas e, por esse motivo, fiquem menos atentas aos outros quando fumam e mais tolerantes com quem fuma perto de si. Quando alguém fuma, todos fumam à sua volta. As crianças são particularmente vulneráveis ao FAT sobretudo por não terem como defender o seu direito a viver num ambiente sem fumo. A exposição de recém-nascidos e crianças às substâncias tóxicas e cancerígenas presentes no FAT está associada a graves problemas de saúde, tais como a morte súbita do lactente, infeções respiratórias de repetição, infecções nos ouvidos e indução e exacerbação de crises de asma. Contribui também para que as crianças aprendam a conviver com o tabaco, como produto de consumo comum, e se sintam mais atraídas por experimentar fumar, quando atingem a adolescência.
AQUI os pais e conviventes com crianças no agregado familiar podem encontrar informação sobre os malefícios do fumo ambiental do tabaco e os seus efeitos nos não-fumadores, incluindo as crianças, e alertas em como evitá-lo, bem como os primeiros passos para deixar de fumar.
No âmbito da prevenção do tabagismo a nova Proposta de Lei elaborada pelo Governo, transpondo as Diretivas Europeias mais recentes, contempla já algumas medidas destinadas a proteger crianças e trabalhadores da exposição ao FAT, pois pretende eliminar espaços de uso público, como bares e restaurantes, partilhados por fumadores e não fumadores. No entanto, para a indústria de restauração, hotelaria e diversão está contemplada uma moratória de cinco anos (até 2020) na execução da mesma. Evidência ao redor do mundo demonstra que só a proibição abrangente em todos os locais públicos é eficaz na proteção das pessoas contra a exposição ao FAT. Assim sendo, até que esta seja a realidade em Portugal, a forma de reduzir a exposição das crianças ao FAT passa por aumentar a percepção da população sobre os riscos da exposição das crianças e incentivar à modificação de atitudes/comportamentos dos fumadores em relação ao consumo de tabaco em locais fechados.
A campanha da DGS, “Eu Fumo Tu Fumas” é um primeiro passo de alerta e motivação para parar de fumar aumentando assim o número de domicílios e de carros livres de fumo.

Links úteis:
http://eufumotufumas.com
https://www.dgs.pt/ms/5/default.aspx?id=5516

Dr.ª Carolina Constant
Texto elaborado por solicitação para o Portal C&F, SPP 2005.05.28©

terça-feira, 22 de maio de 2018

Álcool e tabaco de longe a maior ameaça à saúde humana

Álcool e tabaco são a maior ameaça à saúde. Em 2015 o uso conjunto destas substâncias custou à globalidade da população mundial mais de 250 milhões de anos de vida saudável.
Autor
  • Agência Lusa
Mais sobre
Álcool e tabaco são de longe a maior ameaça ao bem-estar humano, entre todas as substâncias que causam dependência, indica um relatório publicado esta sexta-feira na revista Addiction.
Utilizando a mais atual informação sobre álcool, tabaco e substâncias ilícitas, os autores do trabalho concluíram que em 2015 o uso conjunto de álcool e tabaco custou à globalidade da população mundial mais de 250 milhões de anos de vida saudável, aos quais se juntam mais algumas dezenas de milhões devido ao consumo de drogas ilícitas.
De todas as substâncias, a que tem um maior peso na saúde humana é o tabaco, sendo as drogas ilícitas que têm o menor peso. Estimativas globais sugerem que quase um em cada sete adultos (15,2%) fuma tabaco e um em cada cinco relata pelo menos um consumo de álcool em grande quantidade no último mês.
Comparando com o resto do mundo, a Europa Central, Oriental e Ocidental regista um maior consumo de álcool per capita e uma maior percentagem de consumos elevados. As mesmas regiões também detêm as maiores prevalências de tabagismo, embora o uso de drogas ilícitas seja muito menos comum: menos de uma em cada 20 pessoas usou canábis no último ano e os consumos estimados de anfetaminas, opiáceos e cocaína também são muito baixos.
Ao contrário, países como os Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia têm das mais altas taxas de dependência de drogas ilícitas. O relatório, “Estatísticas globais sobre Álcool, Tabaco e uso de drogas ilícitas: relatório da situação 2017”, usa dados de instituições como a OMS e a ONU.
https://observador.pt/2018/05/11/alcool-e-tabaco-de-longe-a-maior-ameaca-a-saude-humana/