sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Qual é a relação entre o sono e a saúde ocular?

 

Sabia que não dormir o suficiente pode afetar a sua visão? Quando está sem sono para fazer alguma coisa, seja trabalhar no computador, olhar para o telemóvel, ler um livro ou assistir a um programa de TV, os seus olhos também não descansam.

O tempo prolongado que passa sem fechá-los gera vários sintomas, incluindo fadiga ocular, olho seco e tremores palpebrais. Além disso, o esforço para ficar acordado altera a parte do cérebro responsável pelo processamento da informação visual.

Portanto, é difícil distinguir objetos e letras, pois não está a processar as imagens normalmente. Para se recuperar do trabalho realizado durante o dia, os olhos precisam de pelo menos 5 horas de descanso à noite.

Quanto menos descansar, maiores serão as manifestações externas que terá. Por exemplo, pálpebras inchadas, olheiras, vermelhidão e olheiras que mostram claramente a falta de descanso.

Efeitos da fadiga ocular

Com a fadiga visual, surgem uma série de sinais, como dor de cabeça e dificuldade em olhar para um objeto. Também desconforto no pescoço, ombros ou costas, olhos lacrimejantes ou secos, aumento da sensibilidade à luz e visão dupla ou turva.

Isto costuma acontecer com quem trabalha ou estuda muito tempo em frente do computador ou dos livros. Depois de várias horas, começam a ter problemas para continuar a trabalhar devido à fadiga que isso lhes causa.

Se navegar na Internet até à hora de dormir, o seu cérebro terá mais dificuldade em enviar o sinal para dormir. Consequentemente, o período de inatividade é reduzido para repôr a energia e relaxar os músculos.

Olhar para telas brilhantes de telemóveis ou tablets em espaços escuros torna-o mais suscetível à fadiga ocular digital. Se não puder evitar, use os aplicativos que permitem reduzir a luz azul dos dispositivos móveis.

Qualidade do sono e olho seco

A curta duração e a má qualidade do sono afetam particularmente as pessoas com doença do olho seco (DED). Em 2021, a Universidade de Groningen, na Holanda, apresentou um estudo para demonstrar o impacto que tem nesses pacientes.

Esta condição aparece quando o globo ocular não produz a quantidade correta de lágrimas para mantê-lo húmido ou estas, evaporam rapidamente. Os seus sintomas incluem: dor, ardor, visão turva e intolerância à luz.

Os autores desta pesquisa avaliaram 71.761 pessoas de ascendência europeia para descobrir os fatores associados a ambos os problemas. Descobriram que quase um em cada dois pacientes com essa patologia dormia mal.

qualidade do sono era semelhante à daqueles com condições crónicas, como osteoartrite e apneia obstrutiva do sono, observaram. O resultado foi o mesmo em jovens e adultos, mulheres e homens, em parte devido à presença simultânea de outras doenças.

Tique ou tremor pálpebral

A secura ocular por não dormir bem e trabalhar sem parar no computador também afeta a saúde das pálpebras. Pode sentir o movimento repetitivo e involuntário do músculo orbital e não conseguir controlá-lo.

Essa condição, conhecida como mioquimia palpebral, pode se tornar incomodativa porque é acompanhada por outros sintomas. Por exemplo, fotossensibilidade e visão turva, o que dificulta a realização de certas tarefas diárias, como conduzir e ler.

tremor é mais comum na parte inferior e geralmente é impercetível. Quando você se olha no espelho, não percebe, mesmo que sinta muitas palpitações. No entanto, há casos em que é visível porque a pálpebra da pessoa fecha completamente.

Para evitar tiques nos olhos, recomenda-se dormir o número de horas necessárias e desconectar todos os aparelhos eletrónicos antes de ir para a cama. Da mesma forma, é aconselhável fazer uma massagem suave na área afetada para que desapareça.

Usar lentes de contacto à noite

Quanto às lentes de contacto, dormir com elas não afeta a qualidade do sono, mas não é saudável para os olhos.



https://www.saudebemestar.pt/pt/clinica/oftalmologia/vista-cansada/

https://www.lentesdecontacto365.pt/blog/relacao-sono-saude-visual?srsltid=AfmBOoq28t0WovrScnL33qlk6zQrs3f9vpL4vHaQTxtBxzaVWaBCyDFF

 

Estrutura e função do pulmão

 

A newsletter deste mês pretende elucidar/rever o mecanismo do pulmão. Este texto é retirado do livro “As doenças dos pulmões” escrito pelo Dr. Edouard Arnold.

“...a saúde representa um capital de valor inestimável, que cada um deve gerir o mais conscientemente possível. Para tanto é preciso que o público esteja informado ...”

“ A função primordial do pulmão é assegurar a respiração. Esta função básica do nosso organismo consiste em trazer ao nosso sangue o oxigénio que o sangue, pela circulação arterial, conduzirá a todos os nossos órgãos. Em sentido inverso, o sangue transferirá para o ar o anidrido carbónico, resíduo resultante da atividade dos nossos tecidos, que assim será eliminado. É inútil dizer que esta função é essencial para tudo o que vive na Terra.

O pulmão tem ainda outras funções. Assim, as pesquisas modernas mostraram que desempenhava o papel da glândula e fornecia ao nosso organismo numerosas substâncias que nos são necessárias.

Nesta função respiratória, os pulmões estão, pois, encarregados de assegurar a ventilação pela inspiração, que introduz o ar, e pela expiração, que o rejeita para o exterior. Trata-se de conduzir o ar no qual vivemos até ao local onde se realizará o contacto com o sangue e onde se operará a troca de gases. O ar penetra pelo nariz e a boca; é conduzido pela traqueia até dois grandes brônquios, um à direita, para o pulmão direito, outro à esquerda, para o pulmão esquerdo. A partir daí, cada brônquio divide-se numa quantidade de brônquios cada vez mais pequenos. (...)

Estes brônquios conduzem ao tecido pulmonar formado por uma infinidade de pequenas cavidades, os alvéolos pulmonares. (...)

É ao nível dos alvéolos que se realizará o contacto ar-sangue, sede íntima da respiração. (...)

Entre os alvéolos situa-se um espaço, o tecido intersticial; contém elementos de sustentação, que garante ao pulmão a sua integridade, fibras elásticas que permitem a modificação do volume do órgão entre a inspiração e a expiração, células de diversos tipos com funções múltiplas, e sobretudo os capilares, que levam o sangue à parede alveolar.

É, pois, através desta parede alveolar que se fará a troca de gases: o oxigénio sairá do alvéolo para se dirigir ao sangue, e o anidrido carbónico abandonará o sangue para penetrar no alvéolo a fim de ser eliminado durante a expiração.

Para completar o esquema, recordemos o essencial da circulação do sangue: o sangue reabastecido em oxigénio abandona o pulmão pelas veias pulmonares que o conduzem à aurícula esquerda do coração; passa para o ventrículo esquerdo, depois através da aorta e de todo o sistema arterial, alcançará todos os nossos órgãos a fim de lhes levar o oxigénio necessário. Da periferia, o sangue carregado pelo anidrido carbónico voltará ao coração através do sistema venoso, que desemboca na aurícula direita; passa pelo ventrículo direito, que, através das artérias pulmonares e das suas bifurcações, se espalhará pelo pulmão para ali abandonar o seu anidrido carbónico. Assim, o ciclo completou-se, o processo de respiração realizou-se.

O pulmão, na totalidade dos seus lobos, é envolvido por uma membrana muito fina: a pleura. Na realidade, há duas pleuras, a que envolve o pulmão e a que recorre a superfície interna do tórax. Estas duas pleuras estão em contacto, mas podem deslizar uma sobre a outra, o que garante a mobilidade do pulmão no jogo da inspiração e da expiração.

A consequência das doenças é sempre a mesma, independentemente do elemento que afeta, seja nos pulmões, nos brônquios, na pleura ou no tecido intersticial: deficiência da respiração.

Mas o nosso organismo defender-se-á, graças às conexões que existem – através do sistema nervoso – entre os nossos diferentes aparelhos. Assim, se a superfície do contacto ar-sangue diminui demais, reagiremos enviando aos nossos pulmões uma maior quantidade de sangue, compensamos aumentando o caudal circulatório. Para isso, o nosso coração baterá a um ritmo mais rápido. De resto, cada um de nós pode constatar o fenómeno fazendo um esforço: este esforço exige um suplemento de oxigénio e notamos a nítida aceleração do nosso pulso.

Este mecanismo de compensação explica a consequência possível das doenças pulmonares, sobretudo se estas forem crónicas: é a afeção cardíaca.

O coração, demasiado solicitado, cansa-se e, por sua vez, dará sinais de insuficiência. Assim, o bronquítico crónico ou o enfisematoso poderá morrer de insuficiência cardíaca.”

 

Dr. Edouard Arnold, nascido em 1909, presidente da Associação Suíça contra a Tuberculose e as Doenças Pulmonares, é também membro do conselho da União Internacional da Tuberculose

 


Exercício 1: Anotação emocional

 

Sophie Seromenho no livro “Não é Loucura, É Ansiedade” sugere a execução de alguns exercícios ...

“Há muitos motivos pelos quais é importante manteres registos das tuas experiências de maneira regular e contínua.

Em primeiro lugar, ansiedade intensa ou crónica, dificuldades de humor ou outras experiências emocionais desagradáveis parecem estar fora do teu controlo, como se tivessem vida própria. Provavelmente, sentes-te como se fosses vítima das tuas próprias experiências desagradáveis ou angustiantes. Aprender a ser um observador, em vez de uma vítima, da tua própria experiência é o primeiro passo para alcançares estabilidade.

Em segundo lugar, ao aprenderes a reconhecer como o que pensas, o que sentes e o que fazes pode contribuir para experiências emocionais desconfortáveis ou angustiantes, como ansiedade ou depressão, terás mais facilidade em identificar quais os aspetos do que pensas, fazes e sentes estão a contribuir para o teu sofrimento e em utilizar maneiras novas e mais úteis de lidar com as tuas experiências. A manutenção de registos contínuos pode ajudar-te a começar a reconhecer e identificar essas partes da tua experiência. (...)

Manter registos contínuos das tuas experiências emocionais força-te a reconhecer que o teu estado de humor flutua e que há momentos em que te sentes menos angustiado do que noutras ocasiões. Assim, quando analisares esses registos, terás uma imagem mais realista do que realmente está a acontecer contigo, permitindo que te sintas mais estável e menos angustiado.

Neste exercício, a ideia é aprenderes a registar quantas vezes ao longo da semana te sentiste de uma certa maneira, o que estava a acontecer antes de te sentires angustiado e como é que respondeste.

Para te ajudar a fazer isto, incluí um questionário muito específico, projetado para registar informações objetivas sobre a tua ansiedade.

O gráfico de Registo de Progresso ajudar-te-á a manter tudo em perspetiva. Pode ser útil deixá-lo num lugar bem visível, como no espelho do quarto ou no frigorífico, de modo que sejas lembrado das mudanças positivas e do progresso que estás a fazer.

Escala Geral de Severidade de Ansiedade (EGSA)

Os itens a seguir serão sobre a tua ansiedade e medo. Para cada item, circunda o número da resposta que melhor descreve a tua experiência na semana passada.

1.     Na última semana, com que frequência te sentiste ansiosa/o?

0 = sem ansiedade na semana anterior.

1 = ansiedade infrequente. Fiquei ansiosa/o poucas vezes.

2 = ansiedade ocasional. Senti-me ansiosa/o algumas vezes. Foi difícil relaxar.

3 = ansiedade frequente.  Senti-me ansiosa/o na maior parte do tempo. Foi  muito difícil relaxar.

4 = ansiedade constante.  Senti-me ansiosa/o a toda a hora e nunca relaxei.

2.     Na última semana, quanto te sentiste ansiosa/o, quão intensa ou grave foi essa ideia?

0 = pouca ou nenhuma: a ansiedade estava ausente ou quase impercetível.

1 = leve: a ansiedade estava num baixo nível. Foi possível relaxar quando tentei. Os sintomas físicos eram apenas ligeiramente desconfortáveis.

2 = moderada: a ansiedade às vezes foi angustiante. Foi difícil relaxar ou concentrar-me, mas eu conseguiria se tentasse. Os sintomas físicos eram desconfortáveis.

3 = grave: a ansiedade foi intensa.  Era muito difícil relaxar ou concentrar em qualquer coisa. Os sintomas físicos eram extremamente desconfortáveis.

4 = extrema: a ansiedade era avassaladora. Era impossível relaxar  Os sintomas físicos eram insuportáveis.

3.     Na última semana, com que frequência evitaste situações, lugares, objetos ou atividades por causa da ansiedade ou do medo?

0 = nenhuma: não evito lugares, situações, atividades ou coisas por causa do medo.

1 = raro: eu evito de vez em quando, mas geralmente enfrento a situação ou o confronto. O meu estilo de vida não é afetado.

2 = ocasional: tenho algum medo de certas situações, lugares ou objetos, mas ainda é controlável. O meu estilo de vida mudou apenas em pequenas coisas. Sempre ou quase sempre evito as coisas que temo quando estou sozinha/o, mas consigo lidar com elas se alguém vier comigo.

3 = frequente: tenho um medo considerável e realmente evito as coisas que me assustam. Fiz mudanças significativas no meu estilo de vida de forma a evitar o objeto, situação, a atividade ou o lugar.

4 = sempre: evitar objetos, situações, atividades ou lugares tomou conta da minha vida. O meu estilo de vida foi amplamente afetado e já não faço as coisas de que gostava.

4.     Na semana passada, quanto da tua ansiedade interferiu na tua capacidade de fazer as coisas que precisavas de fazer no emprego, na escola ou em casa?

0 = nenhuma: sem interferência de ansiedade no emprego, na escola ou em casa.

1 = leve: a minha ansiedade causou alguma interferência no emprego, na escola ou em casa. As coisas estão mais difíceis, mas tudo o que precisa de ser feito ainda está a ser feito.

2 = moderado: a minha ansiedade definitivamente interfere nas tarefas. A maioria das coisas ainda está a ser feita, mas poucas estão a ser feitas como no passado.

3 = grave: a ansiedade realmente mudou a minha capacidade de fazer as coisas. Algumas tarefas ainda estão a ser realizadas, mas muitas não estão. O meu desempenho definitivamente sofreu-

4 = extremo: a minha ansiedade tornou-se incapacitante. Não consigo completar tarefas e tive de deixar a escola, pedi a demissão ou fui despedida/o do meu emprego, ou não consegui completar tarefas em casa e enfrentei consequências como cobradores de contas, despejo, etc.

5.     Na última semana, quanto da tua ansiedade interferiu na tua vida social e relacionamento?

0 = nenhum: a minha ansiedade não afeta os meus relacionamentos.

1 = leve: a minha ansiedade interfere ligeiramente nos meus relacionamentos. Algumas das minhas amizades e outros relacionamentos sofreram, mas, no geral, a minha vida social ainda é gratificante.

2 = moderado: experimentei alguma interferência na minha vida social, mas ainda tenho alguns relacionamentos íntimos. Não passo tanto tempo com outras pessoas como antes, mas ainda socializo às vezes.

3 = grave: as minhas amizades e outros relacionamentos sofreram muito por causa da ansiedade. Não gosto de atividades sociais. Socializo muito pouco.

4 = extremo: a minha ansiedade interrompeu completamente as minhas atividades sociais. Todos os meus relacionamentos sofreram ou terminaram. A minha vida familiar é extremamente tensa.

Total: ­­­­_______



Durante 20 semanas faça o seu registo no gráfico acima.

 

Seromenho, S. Não é Loucura, é Ansiedade - Primeiros Socorros para Combateres a Doença do Século. Lisboa: Contraponto.(2022).