Sophie Seromenho no livro “Não é Loucura, É
Ansiedade” sugere a execução de alguns exercícios ...
“A
Terapia Focada na Compaixão (CFT) é uma forma de terapia psicológica de 3ª
geração desenvolvida por Paul Gilbert, que se baseia em princípios budistas,
nos fundamentos da psicologia evolutiva, na psicologia do desenvolvimento, na
teoria da vinculação e na neurociência.
https://www.conquersocialanxiety.com/terapias-baseadas-na-compaixao-para-ansiedade-social/
Dentro
da CFT, há dois métodos frequentemente usado para compreender as dificuldades
de uma pessoa.
Uma das
abordagens mais comuns é a conceptualização dos «três sistemas», que ilustra os
sistemas de «ameaça», «motivação» e «segurança» da pessoa e descreve as
dificuldades em termos de função e equilíbrio relativo desses sistemas, tal
como fizeste anteriormente.
Outro
tipo de conceptualização de caso na CFT é a formulação com foco na ameaça, que
é o que vais fazer agora.
Trata-se
de uma abordagem longitudinal que vincula as dificuldades históricas aos medos
e estratégias de segurança atuais. Este tipo de formulação CFT é projetado para
ajudar as pessoas a perceberem de que modo a sua história pessoal sensibilizou
(ou «treinou») o seu sistema de ameaça (ou seja, o que aprenderam a temer).
Este
diagrama de Formulação CFT foi desenhado para te ajudar a chegar a uma
compreensão mais pormenorizada da tua vida, de quem és hoje e das tuas
experiências.
Instruções
Completa
o diagrama (próxima newsletter) conforme cada tópico que te é apresentado e
respondendo às seguintes questões:
1. Influências históricas. Começa por
explorar experiências-chave e memórias emocionais.
- Consegues lembrar-te de experiências
importantes/marcantes que possam ter-te afetado ou moldado?
- Enquanto crescias, como era o teu relacionamento
com os teus pais/irmãos/família mais ampla/amigos?
- Tiveste alguma experiência na tua vida em que
sentiste que não importavas (por exemplo, na família, no emprego, nos
relacionamentos íntimos)?
- Consegues recordar alguma experiência em que te
tenhas sentido ameaçado, rejeitado, criticado ou culpado (por exemplo,
bullying, não te encaixares na escola ou no emprego, seres magoado/traído)?
2. Medos e ameaças
Os nossos medos e ameaças são originados pelas
nossas próprias experiências. A CFT refere que muitos dos nossos medos e
ameaças «envolvem preocupações arquetípicas ligadas à rejeição, abandono,
isolamento, vergonha e dano». Uma componente interessante da formulação CFT é
que distingue ameaças externas e internas. As primeiras são as preocupações
sobre o que as outras pessoas podem pensar ou sentir sobre nós ou fazer
connosco (por exemplo, «não sou digno»), as nossas emoções (por exemplo, «não
consigo lidar com isso»; «se ficar com raiva, vou perder o controlo»), memórias
(por exemplo, preocupação com o que significam as nossas memórias indesejadas),
ou preocupações sobre sentirmo-nos sozinhos ou desconectados dos outros. As
perguntas para explorar medos e ameaças podem incluir:
- O que temes o que os outros pensem de ti?
- O que temes que as outras pessoas te façam?
- Do que tens mais medo?
- O que achas que as outras pessoas pensariam de ti
se realmente soubessem o que aconteceu contigo?
- Quais são as tuas preocupações acerca de ti mesmo?
- Quais são os teus medos acerca de ti próprio (por
exemplo, não ter valor, não ser suficientemente bom)?
- Tens alguma emoção, memória ou experiência contra
o qual lutas?
3.
Estratégias de Segurança
Todos nós tentamos ativamente lidar com o mundo ao
nosso redor e gerir as nossas próprias experiências internas. A CFT entende
que:
. Essas estratégias têm como objetivo regular o
nosso sistema de ameaça. São tentativas de «manter a segurança». As estratégias
podem diferir, dependendo se estamos a tentar gerir ameaças internas ou
externas.
. Desenvolver formas (pré-programadas) de responder
às ameaças percebidas (por exemplo, congelar, lutar ou fugir).
. Também temos maneiras temperamentais de responder
(por exemplo, algumas pessoas são mais propensas a aproximar-se, outras a
evitar.
. As estratégias podem ter sido aprendidas durante a
infância ou adolescência e reforçadas com o tempo (por exemplo: «É
compreensível que tenhas aprendido a comportar-te desta maneira – no contexto
em que o comportamento se desenvolveu, fez muito sentido. Agora que não estás
nessa situação, será que essa estratégia está realmente a ajudar-te?».
As perguntas a explorar as estratégias de segurança
podem incluir:
- O que fazer para lidar com a ativação dos teus
medos (por exemplo, evitar, buscar garantias, ficar na defensiva)?
- O que fazes quando estás cara a cara com os teus
medos?
- O que fazes para te protegeres do mundo e das
outras pessoas?
- O que fazes para te protegeres dos teus próprios
pensamentos, sentimentos e memórias?
Seromenho, S. Não é Loucura, é Ansiedade - Primeiros
Socorros para Combateres a Doença do Século. Lisboa: Contraponto.(2022).

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