sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Exercício 2: Conceptualização de Caso

Sophie Seromenho no livro “Não é Loucura, É Ansiedade” sugere a execução de alguns exercícios ...

“A Terapia Focada na Compaixão (CFT) é uma forma de terapia psicológica de 3ª geração desenvolvida por Paul Gilbert, que se baseia em princípios budistas, nos fundamentos da psicologia evolutiva, na psicologia do desenvolvimento, na teoria da vinculação e na neurociência.


https://www.conquersocialanxiety.com/terapias-baseadas-na-compaixao-para-ansiedade-social/

Dentro da CFT, há dois métodos frequentemente usado para compreender as dificuldades de uma pessoa.

Uma das abordagens mais comuns é a conceptualização dos «três sistemas», que ilustra os sistemas de «ameaça», «motivação» e «segurança» da pessoa e descreve as dificuldades em termos de função e equilíbrio relativo desses sistemas, tal como fizeste anteriormente.

Outro tipo de conceptualização de caso na CFT é a formulação com foco na ameaça, que é o que vais fazer agora.

Trata-se de uma abordagem longitudinal que vincula as dificuldades históricas aos medos e estratégias de segurança atuais. Este tipo de formulação CFT é projetado para ajudar as pessoas a perceberem de que modo a sua história pessoal sensibilizou (ou «treinou») o seu sistema de ameaça (ou seja, o que aprenderam a temer).

Este diagrama de Formulação CFT foi desenhado para te ajudar a chegar a uma compreensão mais pormenorizada da tua vida, de quem és hoje e das tuas experiências.

Instruções

Completa o diagrama (próxima newsletter) conforme cada tópico que te é apresentado e respondendo às seguintes questões:

1.     Influências históricas. Começa por explorar experiências-chave e memórias emocionais.

- Consegues lembrar-te de experiências importantes/marcantes que possam ter-te afetado ou moldado?

- Enquanto crescias, como era o teu relacionamento com os teus pais/irmãos/família mais ampla/amigos?

- Tiveste alguma experiência na tua vida em que sentiste que não importavas (por exemplo, na família, no emprego, nos relacionamentos íntimos)?

- Consegues recordar alguma experiência em que te tenhas sentido ameaçado, rejeitado, criticado ou culpado (por exemplo, bullying, não te encaixares na escola ou no emprego, seres magoado/traído)?

2.     Medos e ameaças

Os nossos medos e ameaças são originados pelas nossas próprias experiências. A CFT refere que muitos dos nossos medos e ameaças «envolvem preocupações arquetípicas ligadas à rejeição, abandono, isolamento, vergonha e dano». Uma componente interessante da formulação CFT é que distingue ameaças externas e internas. As primeiras são as preocupações sobre o que as outras pessoas podem pensar ou sentir sobre nós ou fazer connosco (por exemplo, «não sou digno»), as nossas emoções (por exemplo, «não consigo lidar com isso»; «se ficar com raiva, vou perder o controlo»), memórias (por exemplo, preocupação com o que significam as nossas memórias indesejadas), ou preocupações sobre sentirmo-nos sozinhos ou desconectados dos outros. As perguntas para explorar medos e ameaças podem incluir:

- O que temes o que os outros pensem de ti?

- O que temes que as outras pessoas te façam?

- Do que tens mais medo?

- O que achas que as outras pessoas pensariam de ti se realmente soubessem o que aconteceu contigo?

- Quais são as tuas preocupações acerca de ti mesmo?

- Quais são os teus medos acerca de ti próprio (por exemplo, não ter valor, não ser suficientemente bom)?

- Tens alguma emoção, memória ou experiência contra o qual lutas?

3. Estratégias de Segurança

Todos nós tentamos ativamente lidar com o mundo ao nosso redor e gerir as nossas próprias experiências internas. A CFT entende que:

. Essas estratégias têm como objetivo regular o nosso sistema de ameaça. São tentativas de «manter a segurança». As estratégias podem diferir, dependendo se estamos a tentar gerir ameaças internas ou externas.

. Desenvolver formas (pré-programadas) de responder às ameaças percebidas (por exemplo, congelar, lutar ou fugir).

. Também temos maneiras temperamentais de responder (por exemplo, algumas pessoas são mais propensas a aproximar-se, outras a evitar.

. As estratégias podem ter sido aprendidas durante a infância ou adolescência e reforçadas com o tempo (por exemplo: «É compreensível que tenhas aprendido a comportar-te desta maneira – no contexto em que o comportamento se desenvolveu, fez muito sentido. Agora que não estás nessa situação, será que essa estratégia está realmente a ajudar-te?».

As perguntas a explorar as estratégias de segurança podem incluir:

- O que fazer para lidar com a ativação dos teus medos (por exemplo, evitar, buscar garantias, ficar na defensiva)?

- O que fazes quando estás cara a cara com os teus medos?

- O que fazes para te protegeres do mundo e das outras pessoas?

- O que fazes para te protegeres dos teus próprios pensamentos, sentimentos e memórias?

 

 

 

Seromenho, S. Não é Loucura, é Ansiedade - Primeiros Socorros para Combateres a Doença do Século. Lisboa: Contraponto.(2022). 


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