sexta-feira, 6 de março de 2026

“Fatores que influenciam a mudança: A prontidão”

 

“Hubble e colaboradores (1999) realizaram um estudo sobre os fatores que estão numa base de uma mudança de comportamento do cliente no âmbito de uma intervenção terapêutica, tendo identificado a importância relativa que cada um deles pode ter nesse processo.”...

O conceito de prontidão para a mudança, abordado terapeuticamente na Entrevista Motivacional, tem por base o modelo dos estágios de mudança o “Modelo Transteórico de Mudança” de Prochaska e DiClemente, que permite perceber melhor a mudança nos indivíduos, ou seja, as etapas que são percorridas durante um processo de mudança de comportamento. Assim, torna-se possível adequar as estratégias de intervenção às necessidades dos clientes, a cada momento do processo.

Na verdade, este modelo é mais prescritivo do que descritivo, já que idealiza o processo de mudança. A maior parte dos clientes não desenvolve necessariamente um percurso de mudança através do continuum aqui apresentado, apesar desta matriz ser uma proposta realística da intenção de mudar.

Da mesma forma, que não existe uma sequência temporal invariável, também não existe uma clarificação sobre o tempo decorrido na execução de cada estágio em particular, o que permite que se pense nestas etapas mais como «estados» do que como «estágios» (Sutton, 1997).

Dividido em 5 etapas distintas – Pré-contemplação, Contemplação, Preparação, Ação e Manutenção – o modelo representa o processo pelo qual as pessoas passam quando pensam em, iniciam ou tentam manter um novo comportamento.

A etapa que precede o processo de mudança em si é identificada como Pré-contemplação, no qual o indivíduo não está ainda a considerar a mudança em causa.

1.     Pré – contemplação

a.     Caraterização

De um modo geral, a pessoa nesta etapa não encara o seu comportamento como um problema, identificando-se como um cliente «resistente» ou em «negação».

Carneiro (2004) refere que podem existir quatro tipos de contempladores

1)     O relutante: «Estou bem como estou.»

2)     O rebelde: «Vamos todos morrer um dia, por isso…»

3)     O racionalizador: «Tenho um avô com noventa anos que fuma desde os 12 e não tem cancro.»

4)     O resignado: «É tarde de mais para mim…»

https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/manual-coordenador-deixando-de-fumar-sem-misterio.pdf

 

b.     Intervenção

A grande meta dos profissionais de saúde consiste em auxiliar estes clientes a começar a identificar o problema em causa e a questionar o seu comportamento. Para tal devem dar informação sobre os riscos de continuar a usar substâncias, fornecer feedback acerca dos resultados de exames e testes e potenciais danos que estejam a ocorrer.

Com o aparecimento de alguma consciência sobre o problema, o indivíduo entra efetivamente num ciclo de mudança, encaminhando-se para uma etapa de Contemplação. Esta transição não ocorre repentinamente nem de uma forma constante, vai-se instalando normalmente com o tempo.

Na TerLaser quando o cliente efetiva realmente a consulta para Deixar de Fumar, o processo de mudança já está a decorrer, mas é importante manter “viva” a motivação que o/a levou querer Deixar de Fumar, as tentações são muitas. Os sintomas de abstinência são bastante diminuídos e o acompanhamento feito pelo/a terapeuta da TerLaser são “ingredientes” complementares à vontade de querer estar sem fumar.


https://www.terlaser.com/deixar-de-fumar/

Exercício 2: Conceptualização de Caso

 

Sophie Seromenho no livro “Não é Loucura, É Ansiedade” sugere a execução de alguns exercícios (cont.)...

Agora com a informação completa:

Instruções

Completa o diagrama conforme cada tópico que te é apresentado e respondendo às seguintes questões:

4.     Consequências não intencionais

As estratégias de segurança são uma tentativa de te manteres seguro. Todas as ações têm consequências e esta secção da formulação foi projetada para te ajudar a refletires sobre as consequências não intencionais das tuas ações. Não tens culpa daquilo que sentes, nem da forma como aprendeste a lidar com a situação. Foi a melhor maneira que encontraste para o fazer.

Perguntas úteis para explorar consequências não intencionais incluem:

- Existem consequências indesejáveis nas estratégias que encontraste para te protegeres?

- O que acontece quando fazes isso?

- Qual é o impacto de agir dessa forma nos teus relacionamentos/nos teus sentimentos/na tua vida?

- Qual é a desvantagem de agir dessa forma?

5.     Relação contigo próprio

Já sabemos que o modelo de «três círculos» dos sistemas de regulação emocional (ameaça, motivação e segurança) é fundamental para a compreensão do teu funcionamento psicológico. Se o teu sistema de segurança é subdesenvolvido por qualquer motivo, é provável que tenhas um repertório limitado de estratégias para gerir as tuas emoções: na ausência de um sistema de segurança bem desenvolvido, o relacionamento contigo mesmo será punitivo ou crítico.

Na ausência de um sistema de segurança bem desenvolvido, as consequências involuntárias das estratégias de segurança são muitas vezes recebidas com uma dura autocrítica que exacerba ainda mais os principais medos e ameaças. É útil explicar isto ao pormenor.

- Que tipo de coisas dizes a ti próprio?

- Em que tom de voz essas coisas são ditas?

- Este tom lembra-te alguém?

- Porque que é que falas contigo mesmo dessa forma? Que efeito tem isso em ti (por exemplo, motiva-te a fazer as coisas, a não ser preguiçoso?

- Onde aprendeste a falar contigo assim?

- Falarias assim com outra pessoa?

- Como te sentes quando falas contigo assim?

 


https://www.conexasaude.com.br/blog/autoconhecimento/

 

 

Seromenho, S. Não é Loucura, é Ansiedade - Primeiros Socorros para Combateres a Doença do Século. Lisboa: Contraponto.(2022). 

Jogo de palavras do sono

 “Preencha os espaços em branco:

Porque é importante Dormir Bem

À noite, quando são __________(uma hora), gosto de me meter na minha __________(adjetivo) cama. Demoro pouco tempo a ______________(verbo) num ___________(adjetivo) sono. Este tipo de sono é bom, porque um sono de má qualidade pode levar a ____________(problema de saúde). Os cientistas demonstraram, num ____________(adjetivo) estudo recente sobre as ____________(partes do corpo) humanas, que dormir menos de _______(horas) por noite pode levar a um ___________(adjetivo) caso de ____________(problema de saúde).


https://www.grupomast.com.br/a-ciencia-explica-dormir-bem-e-essencial/

Hilariante, não é? O que é espantoso neste puzzle linguístico sobre o sono é que há relativamente poucas formas de preencher os espaços que sejam capazes de tornar a história falsa. No “problema de saúde” poderia ter escrito hipertensão, ataque cardíaco, acidente vascular cerebral, obesidade, diabetes, cancro, insuficiência cardíaca, enxaqueca, fibrilhação auricular, depressão, enurese ou distúrbios neurodegenerativos e perturbações de memória, como a doença de Alzheimer. A lista é interminável e todas as respostas fazem perfeito sentido!

Na minha opinião, os três principais pilares para uma boa saúde sobre os quais podemos exercer algum controlo são: nutrição, exercício e sono. Este último é um processo incrivelmente importante que tem lugar no nosso corpo. Compreenda, que o sono não é a ausência de vigília. Por outras palavras, o sono não é um interruptor no seu cérebro que ou está ligado (quando lê um livro, quando bebe café, etc.) ou desligado (quando dorme). Durante a noite, quando está a dormir, o seu corpo faz coisas incríveis.”

Winter, W. C. (2017). Dormir Bem Para Viver Melhor. Porto: Albatroz.